"O Que é ser comunista?
Ser comunista é ser realista. A própria história da vida nasce e
morre,são os minutos que ela dá. Mas é uma razão para a gente andar de
mãos dadas, trabalhar."
Neusa Cerveira, Aluísio Bevilaqua, Oscar Niemeyer e Sílvio Tendler |
Foi realizada no dia 2 de maio de 2007 uma homenagem ao arquiteto
comunista, Oscar Niemeyer, feita pelo Jornal INVERTA e o Centro de
Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais em seu escritório, na
Avenida Atlântica.
Estiveram presentes ao encontro o editor de INVERTA, Aluisio Bevilaqua;
a presidente do CEPPES, Neusah Cerveira; o cineasta Sílvio Tendler, que
participou da entrevista e os membros da diretoria do centro Denise
Acquarone, Antonio Cícero e Josiel Morais e as arquitetas, Ecatherina
B. Tendler e Gabriela Souza Pereira.
O CEPPES foi fundado por Luis Carlos Prestes há vinte anos e agora
retomado, homenageou como Presidente de honra Oscar Niemeyer, o amigo,
o companheiro, o camarada, o homem que mudou a história do mundo em
vários aspectos e do coração de todos nós, que aceitou a indicação.
Oscar Niemeyer, também membro do Conselho Editorial de INVERTA, falou
entusiasmado sobre a necessidade da revolução, minimizou o
reconhecimento mundial de sua contribuição para a Arquitetura, nos
mostrou um samba feito por ele, em 1962 intitulado “Samba do
Arquiteto”, reafirmou a necessidade de ser Comunista, destacou a
importância da educação em geral e da formação política para os jovens,
e a necessidade de Fidel Castro, seu camarada e amigo, para o povo
cubano e de toda América Latina.
O Jornal INVERTA publica nessa edição, trechos da entrevista com Oscar
Niemeyer, que será publicada na íntegra na segunda edição da revista do
CEPPES, Ciência e Luta de Classes.
IN
– Como você, ao longo desses cem anos de existência, encara o impacto
causado, em termos mundiais, por sua contribuição para a Arquitetura?
ON
– A Arquitetura você abdica, não é importante. Importante é a vida, a
luta por um mundo melhor. Arquitetura a gente faz, eu faço meu gosto,
de uma forma que crie surpresa. O importante é a vida, a gente lutar
por um mundo mais simples, todos de mãos dadas, sem ter que agredir o
outro, não ficar descobrindo os defeitos, todo mundo tem uma qualidade.
O Lênin já dizia que com 10% de qualidade já dava para começar. Eu acho
que o meu interesse é esse, tem tanta arquitetura por aí, a arquitetura
não é levada para o povo, só aos governos, à gente rica, o trabalho que
a gente faz eles não participam.(...)
IN – Oscar o que é ser comunista?
ON
– Ser comunista é ser realista. A própria história da vida nasce e
morre, são os minutos que ela dá. Mas é uma razão para a gente andar de
mãos dadas, trabalhar.
IN
– Você tem uma contribuição não só na Arquitetura, mas na arte dedicada
às lutas e heróis dos povos da América. Muitos estão retratados em seus
monumentos desde o de Brasília, Memorial da América Latina; a Mão do
Che, em São Paulo; ao monumento dos três operários em Volta Redonda, no
Rio de Janeiro, sem falar de figuras como o Prestes.
ON
– Eles foram dignos na vida, é o Prestes, e aqueles companheiros todos.
Eu sempre digo que quando eu entrei para o partido, foi uma escola para
mim. Foi no partido que eu encontrei as melhores pessoas, mais puras,
mais idealistas. Agora, só o partido não vai mudar a vida do homem não,
que é um minuto. Mas pelo menos é um minuto de mãos dadas, sem ver o
outro sofrer do lado, sendo ajudado.
(Exclusivo na nova edição do Jornal Inverta Nº 412)
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