Presidente: Neusah Cerveira - Dra em Ciências e Professora Universitária


no Brasil com identidades falsas pelo esquema dele não morreram, as que entraram em outros esquemas morreram. Meu pai ficou no Palacio de La Moneda até o último instante. O Allende se matou, isso foi dito pelo meu pai quando já estava na Argentina e fazia parte da junta de esquerda revolucionária e percebeu que a situação estava adversa e não tinha expectativa de sobreviver àquela batalha, mas decidiu ficar até o fim. Tentei tudo que podia para livrá-lo da cadeia; fizemos uma campanha internacional com o pedido de habeas-corpus e fomos até o Geisel. Depois soube que eles foram pegos para serem eliminados mesmo e lamento que ele tenha sobrevivido mais de 30 dias, para ter sofrido aquelas bárbaras torturas, teve os olhos vazados. Nos momentos finais dele, quem estava lá era o Fayad, não o Amílcar Lobo, que em entrevista à “Isto É” disse uma frase que meu pai teria dito e que ele jamais diria. Eu sabia que era mentira e obtive essa informação sobre o Fayad de um médico conhecido.

IN - Nunca iria passar despercebido o crime cometido contra um major.
NC - Um oficial graduado é o que faz a Escola Superior de Guerra e que pode ser quatro estrelas. Quando meu pai estava em SP foi trazido para o DOI-CODI, quando entrevistei o Ulstra ele disse que tinha entregue meu pai vivo. Por ser filha de militar sei como funciona o local, e na Polícia do Exército tinha um comandante que era de direita, mas não era torturador e o DOI-CODI ficava bem lá para dentro, isolado, para que as pessoas não ouvissem os gritos na rua. Esse oficial viu a chegada da ambulância de SP, o Ulstra vinha junto e o Fleury entregou meu pai para o DOI-CODI de SP quando ele ainda estava respirando, mas morreu às 4 horas da manhã do dia 13 de janeiro. Este oficial tinha estudado na mesma escola do meu pai e até virou de costas para que não pudesse reconhecê-lo, de medo. Porque na verdade este golpe não foi só militar, mas também civil, apenas os civis foram traídos pelos militares – a mesma coisa que aconteceu no Chile. Não se deve dizer que todos os militares eram coniventes com as torturas e uma das questões é que no AI-1 militares foram cassados imediatamente, porque no Exército existiam quatro tipos de facções: os comunistas, os anticomunistas, os nacionalistas e os que se aproximavam dos anticomunistas, a qual pertencia o Ulstra. Mas aquele oficial não pertencia ao grupo azul e quando viu um ex-colega naquele estado saiu dali, pagou a passagem para um sargento e fez uma denúncia no Alto Comissariado da ONU. Estava com o meu pai, o Dujita Pereda, muito corajoso, 25 anos, o segundo homem da organização, tinha se casado há 15 dias em Buenos Aires. Não conseguimos localizá-lo. Sei da presença do meu pai no DOI-CODI porque um capelão ficou de conseguir uma entrevista, mas fomos quase presos e fomos embora. Muitos viram meu pai lá dentro. Durante a tese recebi um e-mail do Ministério da Defesa dizendo que poderiam resolver o caso. Sempre quiseram tratar o assunto dele como referente ao Exército por ele ser um oficial graduado, pois isso não foi bem aceito na corporação, a família dele era muito conhecida entre os militares. Meu avô não era de esquerda, era um alferes da Cavalaria Portuguesa que veio para o Brasil. Meu pai era filho da tia do João Goulart, de uma família de latifundiários no RS. Tenho feito tudo o que posso para reunir provas e para mudar essa ridícula lei da “amnésia”. Eles voltaram todos, mas os nossos parentes não. No governo FHC ele fez aquele papelão que todo mundo sabe - é mentira que esses arquivos não existem mais. Por ser de uma família militar, sei que são organizados, cada um deles deve ter um dossiê em casa e eles estão morrendo. A lei tem que ser alterada, eles sabem muita coisa e precisam falar. Nestes 4 anos de pesquisas, fui à Argentina, ao Chile e recebi todo tipo de ameaça, como atentados, não denunciei para não apavorar as pessoas, mas duas testemunhas da minha tese foram ameaçadas. Fiz questão de denunciar na PUC o seqüestro do Julio Lopes no dia seguinte que aconteceu. Não dá para aceitar, a notícia que saiu na internet dizia: “Primeiro seqüestrado político da democracia”, não existe seqüestrado político na democracia, tanto é que depois seqüestraram mais um e devolveram, mas o Julio Lopes está morto, mas exigimos o corpo dele, mesmo que seja na Argentina, temos que estar sempre alerta. Quando saiu a notícia de “minha morte” na internet muitos queriam saber onde seria o funeral. Não é por aí, temos que exigir que não aconteça, pois senão os pesquisadores vão evaporar. Não estou nesta pesquisa somente como filha, mas como comunista, tenho a trajetória de uma vida inteira, nunca estive em um partido que não fosse de esquerda, votei sempre com a esquerda mais radical possível, nunca fiz acordos nem conluios com a esquerda burguesa, sempre tive uma posição de ser contra o parlamento por ter vivido aquela experiência do Chile, que foi magnífica no início, mas cheguei à conclusão que somente através da luta revolucionária, num partido organizado comunista, é que se pode chegar ao poder político e ter independência na AL.

IN - Como você está vendo a conjuntura aqui no Brasil, em especial as implicações políticas desse “apagão aéreo?”
NC - Os ataques ao governo Lula, que são vazios e sem propostas, não têm sentido. Muita gente criticou quando defendi a democracia pela internet, agora nesta crise que se denominou “Apagão Aéreo”. Vai começar a sabotagem, porque a CIA já infiltrou gente entre os professores da Argentina e vai tentar desestabilizar o governo Lula, e as pessoas perguntam: Por que, se ele está dando tudo para os banqueiros? Eu respondo: Para que precisam de um intermediário se podem tomar o poder? O Lula faz cada afronta, pois quando ele coloca o Franklin Martins no Ministério é uma provocação, e é claro que esse governo eles não conseguiram, ainda, derrubar, mas a direita está organizada e os militares também, com sites de grande qualidade. Estão organizados, mas fazem tudo isso por ouro e poder. E todos estes enriqueceram assim. Meu pai que era um homem rico de família e financiou a luta muitas vezes com o próprio dinheiro dele, porque não era um militar que vivia do soldo, mas sei a realidade dos militares que vivem com o soldo, não enriquecem. Por que o Lula não dá um aumento e assim se livra de uma parte deles, pois os outros apenas descobriram um brinquedo novo que se chama internet. Escrevi um artigo que chamo de “War Net”, que o golpe vai ser dado pela internet. Estou ligada 24 horas na rede, como uma questão de estratégia, temos que lutar no terreno do inimigo, por isso estou no

Orkut e meu pai tem a comunidade
Joaquim Cerveira. Recebo vários boletins de órgãos da imprensa de direita e considero uma provocação, não respondo, pois não quero radicalizar e ser motivo de uma radicalização.
Sobre os controladores de vôo, todo mundo está ganhando mal, como professora universitária com doutorado, sei disso. Foi um plano muito bem organizado no papel para desestabilizar o governo, e a única vez que o Lula foi esperto na vida foi quando disse: “Não prendam os controladores”. No dia anterior recebi um e-mail dizendo: “Há muito mais coisas no ar do que aviões de carreira”. Por isso sabia que estavam preparando algo. Se colocarem o Exército na rua não há para onde fugir se derem um golpe. Saí de Natal acuada, peguei uma mala e vim. Com meus filhos eles não mexem, porque nos arquivos do DOPS a análise que fazem é que eu sou uma mulher fria e fanática e realmente não adianta, porque a causa para mim está em primeiro lugar. Quando nós éramos somente 29 famílias lutando conseguimos, em comissão, chegar ao Golbery do Couto e Silva e ouvi dele a seguinte frase: “Tenho 25 cadáveres na gaveta e não sei o que fazer com eles”. Depois disso nas minhas pesquisas soube que ele conversou com o Geisel, principalmente sobre o assassinato do papai, e resolveu fazer uma nota explicando que era a favor de devolver os corpos, mas o Geisel foi contra, depois de ouvir o Sebastião Ramos, e saiu aquela famosa nota do Armando Falcão e que tinha gente que não tinha sido seqüestrada que estava na nota. Afirmo que eles sabem onde estão os corpos. Essa não devia ser uma luta solitária nem dos comunistas, nem dos democratas, nem dos familiares, porque é uma luta que interessa a toda sociedade brasileira. Digo que o túmulo dos desaparecidos é a nação brasileira, mas é pouco, porque eles merecem que sejam enterrados, nem que seja só um osso, não por simbolismo cristão, mas para a História. Sou a favor da punição e da revogação dessa lei da anistia, temos condições de mudar essa lei. Meu tio interpelou o Gal Figueiredo num artigo muito bonito em que ele diz que nem os oficiais nazistas, o Hitler conseguiu colocá-los para fazerem certas coisas e teve que criar a SS, a escória da sociedade alemã. No Brasil, alguns oficiais que hoje têm quatro estrelas foram torturadores. Isso é inadmissível, porque ocupam cargos e mais cargos e os seus filhos também continuam ocupando. Fiz um resgate da história e do seqüestro do meu pai e comprovei que a Operação Condor foi uma idéia brasileira, embora os países sul-americanos tivessem uma certa autonomia dos EUA para fazer estas coisas, a seção brasileira era um frango que voava baixo e quando os EUA interviram, organizaram de maneira limpa e por isso foi muito mais fácil descobrir as coisas sobre o seqüestro do meu pai do que posteriormente a 1975. Mas agora eles estão de volta e aquilo que criou a Condor só pede um motivo para ser reativado, pois a estrutura continua existindo, pois existe a ABIN, e é inocente não acreditar nisso. Não existe clima para golpe, dizem muitos companheiros estudiosos. E desde quando a política depende de condições meteorológicas e um clima para um golpe de direita? O Lula precisa dar logo um baita aumento e acalmar a tropa, porque vai ser muito melhor para trabalharmos, vejo que no Chile a questão toda foi de ouro e poder. O Pinochet era um medíocre que vivia na sombra do Pratts e não seria diferente se fosse outro general que tivesse assumido no lugar dele, pois a condução daquele processo foi via Brasil-EUA. Todas essas pesquisas feitas pela Condor são feitas por brasilianistas norte-americanos embalados por muito dinheiro, mas eles não têm uma coisa que temos, pois fiz a pesquisa sem bolsa, é que estamos próximos dos fatos e os companheiros confiam na gente.

IN - Qual sua opinião sobre a atual conjuntura da AL?
NC - Em 1964 e em outras condições havia uma necessidade de reordenar o capitalismo, havia o exemplo da Revolução Cubana que ameaçava se espalhar e os EUA não podiam perder nenhuma posição. Agora eles estão na mesma situação. Falo como economista, que os EUA precisam de um grande canavial na AL e na África, precisam de manufatura, a China. Se puderem gerenciar o capital e ter uma qualidade de vida ótima para si e a Europa, é bom para eles, nada mudou. Não querem intermediários. Se não querem o Chávez, que o chamam de louco, tentam matá-lo quase todo dia; vão tentar desestabilizar a Michelle Bachelet, porque nunca esquecerão e não acreditam que ela vai esquecer o que se passou nos porões da ditadura militar e ver o pai ser assassinado; já estão desestabilizando a Argentina. Estamos correndo sérios riscos de novos golpes na AL. Não sei como vão ser estes golpes, mas com certeza não serão como os da década de 70, serão rápidos e pela rede, será um massacre. Não será como em 64 que deu tempo de sair do país ou no Chile, que ainda houve maneira de correr para as embaixadas, como meu pai, que saiu com 15 pessoas e atravessaram a Cordilheira dos Andes com a ajuda dos índios e chegaram até Mendoza. Devemos estar alerta e segurar a onda com essas críticas em relação ao Chávez, ao presidente da Argentina, ao boliviano Evo Morales, mesmo que não sejam aquilo que queremos, mas é mais fácil de trabalhar do que num regime de exceção. Nasci clandestina em uma viagem do meu pai e estou clandestina até hoje, saí de Natal agora pois minha casa foi metralhada, porque estou fazendo uma pesquisa de doutorado. Então eu digo: Onde está Julio? Porque ninguém faz nada?
Nós, pesquisadores, temos que nos preocupar com o que está acontecendo aqui, na Venezuela, na Colômbia, na Bolívia. Porque vai ser um efeito dominó e um quebra-cabeça muito bem articulado. Vou falar como filha de uma família de militares: eles estudam, ainda mais os dos postos superiores, aprendem inglês, marxismo, técnicas de guerrilha. Assim como os civis que os apóiam e são formados em excelentes universidades no exterior. O fato de mudar o governo nos EUA para os democratas, como muitos estão iludidos, não passa de sonho, não esqueçam que Kennedy era um democrata e o senador Ted Kennedy não fez nada pelos desaparecidos, nem o Jimmy Carter. A questão é econômica, Marx tinha razão, é o fator econômico que determina, e como economista penso que a infra-estrutura vai determinar o resto e enquanto perdurar o capitalismo. O Lula é comunista? Não. É de esquerda? Não? Nem sei mais quem é o Lula, mas acho que essa crise dos controladores é uma sabotagem como os caminhoneiros da época de Allende.

Bianka de Jesus

IN - Fale-nos sobre sua origem.
NC - Sou Neusah Cerveira, filha de um desaparecido político, que aderiu ao foquismo na década de 70, após ter rompido com o Partido Comunista Brasileiro, em 1958, empolgado pela revolução cubana e por novas formas de revolução na América Latina. Quando veio o golpe militar, morávamos em Curitiba, meu pai estava no PTB exercendo o mandato de vereador; ele foi cassado no Ato Institucional 1 (AI-1) e resistiu ao golpe, foi preso com outras pessoas, foi absolvido desse primeiro julgamento e continuou na vida política.

IN - Você desmente a falácia de que teria havido um momento “bom” no golpe ditatorial.
NC - Exatamente. Depois de algum tempo a situação foi se radicalizando e meu pai organizou a Frente de Libertação Nacional com algumas ações em Curitiba, entre elas, a fuga do Coronel Jefferson Cardim, que estava querendo se matar após as humilhações e torturas. Escrevi um texto sobre a lenda da boa ditadura: de que houve uma boa ditadura até 68 e depois o golpe. Mentira! Torturaram desde o primeiro instante. A esposa de um companheiro do meu pai, preso em Curitiba, foi torturada com o filho de 2 anos nos braços.

IN - A perseguição não deu trégua desde o primeiro instante.
NC - Meu pai já estava no Rio em contato com a VPR e outras organizações e eles conseguiram nos tirar de Curitiba, ficamos cada um da família em uma localização diferente, depois nos reunimos com meu pai. Em 70, meu pai foi preso, estava numa operação conjunta com a VPR para seqüestrar o embaixador alemão, nossa família inteira foi presa, não fui porque fiquei com o capitão Lamarca todo tempo. Meu pai não abriu os locais e o seqüestro pôde sair. Vi a lista dos presos que iam ser requeridos, ele era o primeiro nome. Minha mãe não quis ir para o exílio, estava traumatizada por ter passado muito tempo no DOI-CODI, decidi ficar. Meu pai saiu da Argélia, onde fez muitos contados com Miguel Arraes e desceu imediatamente para a AL, sempre com a intenção de retomar a luta; chegando lá mandou me buscar e me engajei imediatamente na juventude.

IN - Seu engajamento se deu ainda durante a infância, pode-se dizer.
NC - Meu pai me deu muita literatura de esquerda e revolucionária. Tinha uma ligação afetiva muito grande com ele e uma admiração desde pequena, porque acreditava no que ele falava; admirava também muito meu tio Marcelo, que era do Comitê Central do Partido Comunista. No Rio, com 12 anos, participei de uma ação de distribuição de panfletos, as pessoas que foram presas da organização não me entregaram. Fui para o Chile com a idéia fixa de participar da luta revolucionária. Aos catorze anos as coisas foram piorando. Meu pai não me deu nenhum tratamento especial por ser filha dele, eu não era a única revolucionária de catorze, quinze, dezesseis anos.

IN - Como era a militância no exílio, no Chile, às vésperas do golpe?
NC - No Chile houve vários encontros, havia muita discussão entre as organizações, mas tinha um pequeno grupo que se manteve sempre revolucionário, como o Apolônio de Carvalho. As coisas aconteceram muito rapidamente; os amigos tentaram convencer o Allende a armar o povo, mas ele desarmou.

IN - Foi nesse momento que você retorna ao Rio.
NC - Voltei para o Brasil antes do golpe, e me engajei no movimento estudantil. Entrei na faculdade de História, um torturador dava aula de Ciências Políticas e para não ser atingida pelo Decreto-lei 477, mudei de curso, fiz Economia. Entrei no Partido Comunista, onde estava meu tio, até um determinado momento. Pode-se dizer que durante a ditadura levei uma vida tripla: de militante do PC, de militante envolvida com os companheiros do exterior e outra como esposa de um gerente de uma multinacional. Pensei ter enganado a repressão, mas não. Depois de muitos estudos, cheguei à conclusão que eles estavam muito bem preparados, obviamente receberam a doutrina de Segurança Nacional, repassada de uma forma bastante objetiva, e acredito que quem capitaneou e disseminou essa luta na América Latina foi o Brasil. Aqui foi o exemplo para a operação CONDOR, e o fato de terem menos desaparecidos aqui demonstra a eficiência deles, não que a repressão tenha sido mais branda, foi violentíssima. No dia 3 de janeiro de 73 me ligaram da Argentina e disse que meu pai havia sido seqüestrado, mas estava vivo. Fui para a Argentina, entrei em contato com as organizações e soube que quem tinha comandado a operação foi o Fleury. Posteriormente consegui localizá-lo no DOI-CODI de SP com o Ulstra.

IN - A partir daí você continuou sua formação acadêmica e sua militância.
NC - Fui para o Rio Grande do Norte, já era economista e geógrafa, fiz curso de pós-graduação em História da AL; fui a Cuba, fiz um curso de Metodologia do Ensino Superior; fiz um curso de Geografia e Organização no Espaço; sou pós-graduada em Literatura Comparada e Crítica Literária; sou jornalista por força da lei, embora não tenha me formado, sempre sobrevivi escrevendo; fiz mais um curso de pós-graduação, sou especialista de período, como minha formação é muito eclética, fiz mestrado para Ciências Sociais e trabalhei com a resistência armada no Nordeste. Analisei o PCR quando soube que tinha sido reestruturado e acabei entrando nesse Partido, após uma rápida passagem pelo PCdoB. Mas como sou contra o parlamento, quando o Partido quis se legalizar, no III Congresso li um documento, recebi uma grande vaia e saí; depois disso aprofundei as pesquisas sobre a época da repressão e fiquei surpresa ao saber a quantidade de infiltrações e de pessoas que fizeram acordos, por exemplo, na mesma pensão que meu pai morava – eu não morava com ele e, para todos os efeitos, lá eu não era filha dele, as pessoas que entravam